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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Perdido


No lugar onde antes haviam asas agora se encontravam feridas, feridas que já nem sangrava mais por fora, pior ainda, sangrava por dentro, que é quando a ferida mais doe.

Caído, sem forças de alçar voo, ele não acreditava mais que voltaria para sua estrela, para o mundo onde outrora fora  sua fonte de vida, sua fonte de poder ser e existir.

Olhando para cima conseguia apenas ver ao longe o lugar que um dia fora seu lar, apenas lembranças de sentimentos e momentos que foram tão bons, mas que agora se tornaram enfermidade para sua alma.

Sendo quem era, vindo de onde veio, ele sabia muitos segredos, mas nem tudo, nem tudo tinha sido levado ao seu conhecimento, os mistérios do inverso são infinitos e é ai que tá graça, o regozijo da descoberta.

Era exatamente isso que ele iria descobrir, ele não sabia que sua capacidade de voar vinha apenas de suas asas, mas sim do fato de querer voar e se permitir, consentir e acreditar no voo.

Ele acabara de cair, mas sentia como que já tivesse sido há muito tempo, sua mente ainda confusa e sua alma perdida no mar de tentos sentimentos e sensações. Talvez fosse o fato de que, em sua realidade, ele não estava a mercê do tempo, sua existência estava acima do tempo e espaço.

Sóstenes Nunes

sexta-feira, 17 de março de 2017

De repente se eternizou

     

 Foi inesperado, mas bem que já deveria saber que nada na vida é tão perfeito, ou é, vai saber...
      Até aquele momento estava “tudo bem”, minha alma segura de que o amor era uma certeza, porém de repente uma mensagem no meu celular, apenas uma mensagem “simples” e objetiva, me destruiu:

      ---...  Acabou...!

      Na hora em que li a mensagem não entendi direito, mas quando observei de quem era o numero meu fardo decaiu, fiquei atônito e desacreditado, na mesma hora tentei retornar e nada, só dava caixa de mensagem.
      Tive que respirar, tentei ser firme até porque eu estava na rua á caminho de casa, como era domingo e eu estava indo do centro sentido bairro, quase não havia transito nem pessoas nos ônibus. Tanto que o ônibus que eu paguei só tinha o motorista e o cobrador, eu entrei e me sentei em um dos últimos assentos e fiquei lá pensativo, compenetrado, desacreditado sobre o que tinha acabado de acontecer.
     
      Depois de alguns minutos percebi que o ônibus estava parando em um ponto logo à frente, alguém iria entrar, o ônibus parou, abriu as portas e ela entrou. Inevitavelmente eu a observei, ela estava séria, pagou a passagem, passou pela catraca e veio caminhando, sentou num acento a frente do meu. Percebi algo estranho, ela estava chorando e com tanto soluço vindo dela eu até acabei me desconcentrando da minha angustia, me senti profundamente incomodado com suas lágrimas, tive que perguntar se ela estava bem.

      --- Não, não estou bem...!

     Respondeu ela, eu não sabia se deveria continuar, até porque aquele dia já estava dando errado de mais para mim, mesmo assim novamente a indaguei:
 
      --- Desculpe moça, mas aconteceu alguma coisa com você?

     Ela, parou, respirou fundo, tentou secar as lágrimas com as mãos, olhou para mim com olhos inchados e vermelhos e me disse:

      ---- Fui traída, enganada e abandonada!

      Eu já não estava bem, e acabei ficando pior com o que ela acabara de me dizer, o pior era que naquele momento eu não tinha consolo nem para mim quanto mais para ela, então disse a única coisa que me veio na cabeça.

      --- Bom, moça, eu acho que sei o que você esta sentindo, minutos atrás eu recebi uma mensagem no meu celular de minha namorada, quer dizer, agora ex, namorada, dizendo que acabou.  

      Ao ouvir isso percebi que ela meio que se distraiu um pouco, então começamos a conversar, enquanto falávamos ela me olha bem nos olhos e eu bem nos olhos dela, nossa, seus olhos eram grandes e negros como a vastidão do universo e expressivos como uma poesia de amor.  Seus lábios eram maravilhosamente proporcionais, e mesmo sua face estando evidentemente abatida ela era linda. Dada a nossa situação e nosso estado emocional naturalmente a conversa acabou por nos envolver em um ar inflamado, um tanto romantizado, quando me dei por mim minhas mãos tinham envolvido as  mãos dela.

      Não sei se porque ela estava muito desapercebida devido seu estado emocional ou foi simplesmente porque ela havia permitido mesmo, ela não tirou suas mãos das minhas, estávamos mergulhados em nossas palavras, como se já nos conhecêssemos.
      Era quase noite, e já que eu não tinha nada a perder e imaginava eu que ela também não ousei convida-la para descermos e irmos há algum lugar, ela prontamente aceitou, demos sinal e descemos. Ali perto havia alguns bares e restaurantes, nos encaminhamos para um deles, nos sentamos, aproximou-se um garçom e nos deu o cardápio, pedimos apenas duas águas e ficamos por ali.
     
      Dizem que nunca se deve agir por emoção, eu mesmo já tinha dito isso muitas vezes, porém naquela tardinha a emoção, desespero ou o que quer que estivéssemos sentido, no meio de tantas palavras sem que percebêssemos nossos lábios desligaram um no outro, um beijo aconteceu. Meu Deus, o que foi aquilo? Aquele beijo fez arder minha alma em chamas e ao mesmo tempo me trouxe uma paz que eu nunca havia sentido, ao passo que nossos lábios iam se saciando um do outro e nossas línguas desdenhado uma a outra nós perdíamos a noção do que estava acontecendo ali.

     Quando paramos de nos beijar palavra alguma foi dita, apenas nossos olhares falavam, diziam coisas tão profundas que palavras não podiam expressar jamais. A noite estava as portas e precisávamos nos despedir, só que não estávamos conseguindo fazer isso, foi quando eu perguntei:

      --- Você quer que eu te leve na sua casa?

      Com uma voz terna e suave ela me respondeu:

      --- Sim, se não for incomodar. --- Jamais. Eu respondi.

      Ao chegarmos a sua casa ela tocou a campanhinha, uma senhora muito simpática de aparência muito favorável foi até portão, abriu, perguntou se ela estava bem e deu as costas. Ela então perguntou se eu gostaria de entrar um pouco, eu mesmo sem jeito aceitei, até achei um tanto irresponsável da parte dela, me convidando mesmo sem me conhecer, mas acabei aceitando o convite.
      Ela me apresentou a seus pais e em seguida nos encaminhando para a varanda de seu quarto, fiquei realmente intrigado com o fato de seus pais não terem questionado quem ou o que eu era dela, mais ainda pelo fato de eu subir até seus aposentos sem ela dar mais esclarecimentos a eles.
     
        Aconteceu que horas se passaram tão rápido que quando fomos ver já eram duas horas da madrugada e já não tinha mais ônibus para eu voltar, foi o jeito, tive que esperar até às quatro e meia da manhã até que os ônibus começassem a rodar. Pois bem, isso eram duas horas da manha e até às quatro e meia muita coisa iria acontecer, e aconteceu.

       Pura loucura, tanto minha quanto dela, nos entregarmos assim tão irresponsavelmente ao acaso, e nas horas que iam se passando tanto que conversamos, admitimos nossas angústias de estranho para estranho sem qualquer receio, sem o mínimo medo que fosse, estávamos tomados de sensações inexplicáveis, e na real, isso não era uma coisa que estava nos incomodando.  Apesar de há poucas horas atrás termos sidos deixados por quem nos jurava amores e, no entanto nos tomou de volta o amor que nunca nos tinham dado de fato, não falamos sobre eles, apenas falamos de nossas fantasias, fomos simplesmente um diante do outro quem éramos em nossos segredos, nos despimos de nossas mascaras e nos mostramos um para o outro em nossos afetos e devaneios.

      Outro sublime momento nos inundou e aos beijos e caricias submergimos um no outro, não houve temperança, não houve racionalidade nem lógica, era apenas o mar daquele momento que se fazia verdade, se fazia sentido. Foi impossível que não houvesse unidade em fim, naquela doce madrugada, e no momento em que nos fazíamos um o menos importante era o que nossos corpos sentiam, sim, porque nossas almas, nossos espíritos explodiam no desejo de um querendo fazer bem ao outro, e foi o que houve.

       Foi dado o ápice, no momento em que ela foi embriagada pelo fenômeno magistral, eu ao perceber todo aquele poder emergindo em seu rosto fatalmente cheguei ao paraíso, nossa, inexplicável, nunca pensei que uma grandeza daquelas pudesse ser possível. Depois de todas essas coisas continuamos ali abraçados, conversando, dando acesso um aos mundos do outro, que daquele dia em diante seria um só mundo.

       Adormecemos, foi tão natural que nem percebemos o momento em que nossos olhos se fecharam e todo o resto do planeta perdeu a importância para nós, no dia seguinte ao despertarmos ainda custamos a acreditar em toda aquela perfeição, foi quando um doce beijo de bom dia nos trouxe novamente a realidade.
       Levantamos-nos, não tinha ninguém em casa, seus pais tinham ido visitar um parente que moravam no interior segundo me disse ela, estávamos só nós dois, então como que conhecidos a muito tempo, entre descontrações e sorrisos fizemos juntos o café da manha, nos alimentados e em seguida tomamos banho juntos.
    Enquanto a água quente e aconchegante caia sobre nós, permanecíamos ali abraçados em silencio, foi quando percebi ela soluçar, eu me afastei um pouco ainda abraçado a ela e a toquei carinhosamente no rosto. Eu nada disse, simplesmente nada consegui falar e comecei a chorar junto com ela, as lágrimas que escorriam de nossos olhos e se misturavam a água eram tão mais quentes. Aquele clima, aquele momento tão puro e santo que todo nosso sofrimento foi sanado, era como se não tivesse havido um passado, era como se a vida tivesse começado naquele exato momento, ela olhando nos meus olhos, com lagrimas e voz profundamente embargada me pediu:

      --- Não me deixe nunca.                                      

    Completamente emotivo respondi que jamais a deixaria, que a forma como tudo aquilo tinha acontecido, a naturalidade e fatalidade de como nos encontramos foi a confirmação do próprio universo a nossa união. Dali em diante o desamor, a inverdade e mentira do mundo nunca mais foi capaz de nos separar e nada, absolutamente nada foi maior que nosso amor.  

  Sóstenes Nunes
               
     




   

sexta-feira, 6 de março de 2015

Espero que tenha sido apenas um sonho!


Foi muito estranho, e aquela sensação que eu sentia era profundamente mórbida algo como um medo de alguma coisa, só que, controversamente esse medo vinha acompanhado de uma curiosidade. Medo e curiosidade, mas queria ver o que era e como era.
     De repente me vi em um edifício, mas especificamente no interior dele, bem no centro. Do ângulo em que me localizava eu me encontrava após uma porta, pelo lado de dentro pelo que pude perceber.
     A sensação estranha continuava lá, me impelindo e ao mesmo tempo me atraindo, por querer estar e não estar ali. Uma voz forte e sinistra falou de dentro de mim, como se fosse de dentro de meu subconsciente direto para meu cociente, que se, eu fechasse aquela porta e me afastasse o suficiente, quando eu desse os mesmos passos de volta e abrisse a porta, o outro lado não seria mais o outro lado.
     A voz me parecia muito convincente, mas meu impulso foi mais forte, fechei a porta, caminhei três passos para traz e parei. No exato momento em que parei me localizava bem no centro entre paredes daquele lugar, em seguida alguma coisa atrás de mim arrebatou meu sexto sentido, olhei e o que vi foi uma escadaria, mas ela não estava lá antes pelo que eu lembrava.

     Uma escadaria com degraus infinitos, tanto para baixo quanto para cima, essa escadaria era seguida por lances, lances de escadas. Inclinei-me, olhei para cima e depois para baixo, fiquei lá olhando por alguns segundos, percebi que a forma espiral daquela escada formava uma geometria fractal, (ver geometria fractal).
     Achei incrível, até por que nos últimos tempos eu vinha lendo sobre esse assunto, e para mim isso fazia todo sentido.
Susto...! De repente um homem cruzou comigo, ele vinha vindo descendo aqueles degraus, passou por mim calado e com a face enrijecida, em seguida outro homem também passou, mas esse me pareceu estar de bem, me olhou e anuiu simpaticamente sua cabeça. Os dois homens foram descendo e descendo, o que eu achei interessante, mas que me deixou mais pensativo do que eu já estava, era que suas vestes pareciam datar do século dezoito.
     Mas bem, depois de observar essas coisas me lembrei que precisava voltar, abrir a porta e sair dali, eu tinha que fazer isso mesmo não me lembrando de ter estado lá fora, tinha que fazer porque deduzi que, mesmo não me lembrando quando ou o por que estava ali, eu deveria voltar e sair.
     Foi o que fiz, caminhei os mesmos passos de volta até aporta, levei a mão ao trinco, girei e abri. Quando sai, mesmo não tendo me lembrado de quando, que horas ou por que estive lá fora, vi que estava tudo em seu devido lugar.
     As cadeiras de espera em um canto na parede, um balcão de informação vazio, as lâmpadas postas em sequência no teto, o ventilador pregado na parede do meu lado direito, o corredor grande com portas do lado e do outro, tudo parecia aparentemente normal, parecia... 
     Porém, algo no ar estava errado, no momento que sai, visualizei tudo e em seguida respirei, senti no próprio ar que tinha alguma coisa intrinsecamente diferente, algo que meus olhos carnais não conseguiam enxergar, mas meu sexto sentido me dizia que não estava certo, como se tudo ali não tivesse sido daquele jeito.
     Me senti inevitavelmente perturbado, de uma forma como se algo oculto ou invisível estivesse injetando de fora ou de algum lugar aquela perturbação direto para minha alma. Rapidamente retornei para dentro de novo, lá dentro também, visualmente nada havia mudado, mas fui tomado pela mesma sensação de quando estive lá fora, lá dentro já não era mais a mesma coisa, alguma coisa no ar, no próprio éter havia mudado.
     Senti uma profunda sensação de solidão e de estar perdido, desgarrado do mundo normal e pior, desgarrado de minha própria lucidez. O estranho era que até então eu não tinha focado bem as paredes, apenas tinha percebido elas lá, mas não as tinha fitado ainda, olhado bem perto.
     No desespero, resolvi descer aquelas escadas, não sei por que fiz aquilo se por mais que me esforçasse não era capaz de enxergar o fim dela.  Enquanto ia descendo cruzava com mais pessoas que desciam e subiam, pessoas caladas, meio que pensativas ou introspectivas unas bem afeiçoadas e outras de faces obscurecidas.
     E lá ia eu descendo e descendo, lance por lance daquela escada, me senti cansado, física e psicologicamente, parei, apoiei minha mão em unas das paredes para descansar foi só ai que percebi que ainda não tinha visualizado bem as paredes. Então olhei, só que quando a fitei bem de perto, percebi que elas não sustentavam sua forma, não tinha uma consistência em si, ficavam oscilando como se fosse um espelho de água ao vento, só que em pé, posto ali como parede.
     Isso fez como que eu quisesse descer as escadas mais rápido, e quanto mais rápido eu caminhava e ao mesmo tempo olhava para as paredes elas ondulavam. Eu estava assustado, e quis parar, foi quando percebi que eu não estava ficando cansado do físico, ma sim da mente, era um tipo de pressão continua.
     Descendo e descendo estava eu, quando de repente a voz falou de novo:
     --- (“...)” Cuidado, nem todos são pessoas, mas mantenha-se centrado, convença-os de que você esta convencido de que são.
Naquelas alturas eu já tinha certeza que não estava na realidade normal, aquele surrealismo me convenceu por total que eu estava em uma situação incomum do ponto de vista humano. Eu obedeci a voz, comecei a caminhar com mais segurança no fardo e nos passos, tentei não demonstrar em minha face o desconforto de minha mente.
     Descendo e descendo, olhando para fundo, desejando enxergar ao menos um sinal de chão, uma luz, o fim em fim e nada, e quando eu estava quase perdendo o controle a voz interveio:
     --- (...) “Não pare, continue, eleve seu espírito, confie em você mesmo, determine que você é capaz e simplesmente acredite.”
     Obedeci prontamente o conselho, continuei caminhado, seguindo todos os conselhos que a voz me deu, descendo e acreditando, olhando para frente e objetivando o fim, e foi incrível. Na medida em que eu ia fazendo isso, a minha frente pareceria que o espaço ia comprimindo-se de lá para cá, em meus próprios sentidos eu era capaz de sentir a distancia se encurtando, quando pensei que não, fim. Cheguei em “terra firme”.
     Ao chegar, o que pude ver foi um pequeno salão vermelho, isso mesmo, vermelho, teto, paredes, chão, móveis tudo vermelho. Ao fundo havia uma banda tocando blues, do meu lado esquerdo tinha um bar, até os copos e garrafa eram vermelhos também, no teto um ventilar grande, com hélices entalhadas em madeira, rodopiando vagarosamente.
     Outra estranheza era que, era um pequeno salão de eventos ou algo do tipo, eu enxergava bem as paredes dos quatro lados, mas na medida em que iam surgindo pessoas, que passeavam de um lado para o outro, aquele lugar ia se enlarguessendo, e quanto mais eu percebia aquele fenômeno e observando o movimento das paredes, elas iam se afastando e se movendo irregularmente cada vez mais.
     Comecei a curtir o som da banda que estava tocando, até por que sou musico e blues para mim é ritmo dos ritmos, a banda estava ao fundo, eu estava bem no meio do salão, no momento em que concentrei minha audição para entender os arranjos dos instrumentos me vi frente a frente com os músicos, fui transportado para perto deles.
     Os músicos tocavam alegremente e envolvidos ao ritmo, me olhavam e anuíam a cabeça positivamente, só que ao fitar os olhos do baixista e do baterista senti de novo aquela sensação, comecei querer me apavorar novamente, senti que aquela energia maligna que fluía das criaturas disfarçada de humanos naquele local era mais forte.
     Antes que eu pudesse me alterar, de novo a voz amiga me acalmou:
     --- (“...)” Calma, não esqueça, quanto mais eles estiverem convencidos de que você esta convencido você estará a salvo, controle-se”.
     Consegui me acalmar, fui até o bar e pedi um suco de melancia, sentei e fiquei no aguardo, curtindo o blues, passado alguns minutos, o suco chegou, aos goles e pensamentos me mantive sentado ao canto, indagando tudo aquilo.
      A voz outra vez veio para elucidar.
     --- (...) Esse edifício é uma dimensão, um tipo de dimensão que só se tem acesso em estado de inconsciência, dormindo, ou em coma. As portas são vórtices temporais instáveis que oscilavam de acordo com a presença de quem entram nelas, os eventos por traz dessas portas chegam ao impensável, e isso varia de acordo com cada individuo. A pessoa que estiver lá, ou vai ficar tranquila por que vai perceber que é um sonho ou vai se convencer de que é uma coisa real e é ai que as criaturas interdimensionais se dão bem, é disso que elas precisam para manterem as condições desse mundo, é dessas condições que elas se alimentam.
     “interessante”. Pensei comigo. Mas a grande questão era se eu iria sair dali?
     A voz me disse que sim, mas não iria ser fácil, eu precisaria alcança o nível pré ultimo de concentração, seria um nível de equilíbrio entre a normalidade e paranormalidade, um alto nível energização espiritual, alto patamar de concentração psíquica fazendo ser gerada um alto cumulo de força interior. Por fim isso deveria ser unido à força da energia psíquica focada do desejo naquilo que se quer.
     Comecei a exercitar, foi difícil, enlouquecedor, mas foi bom, por que na medida em que fui ficando prático em consequência disso as coisas em volta foram ficando mais claras, tanto visualmente quanto nos sentidos.
     A partir daí aquela sensação mórbida que me perseguia foi amenizando, ao mesmo tempo em que eu ia me tornando cada vez mais capacitado e com destreza nas situações, diante dos acontecimentos esquisitos que se sucediam vórtice após vórtice.
     Às vezes parecia que eu estava ali apenas há cinco minutos, e às vezes parecia que dias já haviam se passado anos, mas isso não importava, eu estava cada vez mais forte na alma e objetivado na mente, quando percebi que aquela sensação mórbida tinha me abandonado de vez, quando eu senti que estava confiante o suficiente dei inicio ao passo final de minha libertação.
     A passos firme caminhei toda a vida em frente, entrava em uma porta e saia em um corredor, ia até o fim do corredor e aparecia nas escadas, descendo, ao descer de repente me via subindo, subindo me via de novo no salão, caminhando pelo salão me via em outro lugar, e outro e outro. Visualizando sempre a diante, qualquer variação de pensamento ou sentimento significaria algum lugar diferente que não fosse o do meu objetivo.
     Caminhado e pensando, aprendendo e descobrindo as formas e armas contra o mundo aprisionador, tive uma intuição, após tela pus prontamente em prática. Comecei focar aquela porta que havia adentrado no inicio de tudo e desencadeado aquilo, a primeira porta, e a imagem na minha frente foi se destorcendo e me levando a ela, aos poucos lá na frente ela veio surgindo e surgindo até que me vi frente a frente, procurei não me emocionar de forma alguma, para não perder o controle.
     Levei a mão ao trinco, e girei, enquanto girava vagarosamente concentrei mina mente em estar fora dali, abri a porta, fui após ela e me vi em um corredor com portas do lado e do outro como tantos outros. Seguindo a intuição não entrei em nem uma outra porta, em vez disso comecei a andar pelo corredor, sempre a frente, pensando e almejando o lugar em que mais alegraria minha alma, o lugar que realmente meu intimo desejaria estar.
Objetivado e em passos firmes lá ia eu, quando as paredes começaram a tremular, perder suas formas e consistências, eu sabia que aquilo era alguma armadilha das criaturas interdimensionais, para desviar a atenção de quem quisesse escapar daquele pesadelo. Pensei em correr, mas não o fiz, respirei fundo e ousadamente, fechei meus olhos e firmei mais ainda meus passos, pensando e desejando aonde eu queria estar, quando abri os olhos...

    Ufa! Acordei. Ainda bem que foi só um sonho, mas quer saber? Tenho duvida que tenha sido só um pesado mesmo, mas para todos os efeitos, caso eu volte para lá, já sei como escapar, e se fosse vocês ficariam de olhos bem abertos, às vezes é melhor não dormir. 

sábado, 19 de maio de 2012

O monólogo


Sensações subjetivas... As vezes é isso que eu acho que sinto . Ao que dizem, sensação subjetiva é aquilo que achamos que estamos sentindo mais que não é de fato. Então eu pergunto por que as vezes acho que estou as portas da morte, e as vezes acho que sou imortal?! Eu sei que as perguntas nem sempre trazem respostas, alias, quase nunca, mas alguém um dia disse: o mundo foi feito de perguntas, são das perguntas que surgem a ciência, a ideologia e os conceitos. É meio engraçado eu esta falando dessas coisas por que eu sei que não sou filosofo, na verdade eu nem sei o que sou e sinto que meu destino é lugar nem um, lá..., onde as possibilidades são infinitas.  As vezes eu saio na rua e tenho a impressão que o destino esta me espreitando disfarçado de alguém a espera, esperando o momento certo de me fazer vitima, mas daí eu lembro que destino não existe. Você pode até me censurar por isso, mas acredite, destino são apenas resultados de escolhas e até que venham os resultados nunca saberemos. Um dia desses eu acordei mas não quis abrir os olhos, eu pensei que se permanecesse de olhos fechados o dia não amanheceria para mim,  eu simplesmente não estava afim de dar as caras pro mundo. Eu sei que isso não soa muito normal, mas quem já não teve seus momentos?  A questão é que estou sempre tenso, mesmo quando eu não quero me sinto assim, e quando estou em meu quarto sinto que estou protegido. Os “normais” me chamariam louco, ou mesmo os loucos, mas a questão é que as esquinas me deixam desavontade, e o meio fio me deixa arisco por esse motivo eu sempre ando na mão contraria dos carros, e nunca, nunca de costas para eles. O que eu busco? Bom, não sei bem, mas a meu ver parece tudo um mecanismo, tudo controlado por fatores silenciosos, sutis e eficazes. Eu não acredito em acaso e como disse antes o destino são resultados, mas não creio que sejam resultados nossos e também não sei de quem ou do que poderia ser. Um fanático poderia me chamar de ímpio e dizer que Deus esta no controle de tudo, sabe que eu até me considero cristão? E é por isso mesmo que eu discordo, uma vez que ele nos deu o livre arbítrio. Se nós, seres humanos limitados, burros e presunçosos temos livre arbítrio por que o sistema que move as coisas também não teria? Pois é meu amigo, minha amiga é por isso que as vezes o nosso ultimo instante de vida se torna um tempo indefinido, e as vezes o tempo que achamos que teríamos se torna em um breve instante. Voltando ao ponto de partida, eu não digo que tenho medo da morte, o que eu temo mesmo é vida que eu vivi, lembra que a pouco falamos sobre resultados, pois bem, é isso, você me entende agora?
Eu sei que é irônico eu pedir para você não se deixar levar pelo que eu estou relatando aqui, bom, se você entendeu alguma coisa desse registro fica aqui minha democracia para com sua liberdade de crença. E se você não entendeu tudo isso, que de fato são resquícios de mim, não tem importância nem uma, não por que você não achou importante simplesmente por que não entendeu. Mas o que somos nós, e como entender aos outros e a nós mesmos se não somos frutos de nossa própria criaçã? Diz a liturgia religiosa que a sabedoria do homem é loucura para Deus, mas tudo bem, por que a mesma liturgia diz que sabedoria de Deus é loucura para o homem.  Foi “muito simples” chegar até aqui, tudo isso começou por que mais cedo eu me senti limitado me olhei no espelho e me senti fraco e impotente, isso não é uma particularidade, todos somos assim e no fim a única questão é vida ou morte. Não a outra filosofia, e por mais que eu e você tentemos argumentar, a questão é sobrevivência, e sabemos que mesmo temendo a morte não somos corajosos o suficiente nem para viver e nem para morrer.

Subjett

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pelotão metal


Uma reflexão antes de começar a história: eu faço aqui nesse começo um protesto e uma literal exaltação ao rock e a todos quantos são da família metal, não me levem a mal, mas rock é rock!

Diante de alguns fatos que pude ver e sintetizar nesses últimos tempos fiquei pensando que se pararmos para observar bem os valores excluiríamos muitas coisas de nossa vida, inclusive muitas pessoas.  Seria bom que as pessoas se fizessem mais interessantes e interessadas por que acredito eu que afinidade e dada por afinidade. O Brasil é um pais tão diversificado em cultura, ritmos e ideologias, mas um vírus chamado modismo cauteriza as mentes, manipula os gostos e deturpas os conceitos. Eu que represento a classe rock sinto na garganta o gosto do disso, a subcultura rock é mais uma como tantas e cada uma tem sua particularidade, no rock o que o particulariza é o peso a “agressividade”, o protesto e reivindicação. Eu como músico toco diversos ritmos, mas por paixão atuo musicalmente dentro do rock só que nesses últimos tempos observo que os produtores, gravadoras é a própria mídia só estão financiando, diga-se de passagem, um ou dois gêneros. Não sei se é mesmo preconceito ou manipulação, eles dizem que rock influencia a radicalidade, sexo droga e bebida. Nós roqueiros somos o que somos não o que dizem, e digo mais, melhor ser o que somos do que esta atolado de modismo do rabo até o nariz, e para finalizar deixo um pensamento meu aos normaizinhos:  Ser não é se sentir é deixar acontecer naturalmente!

Tudo estava aparente normal, o governo estava em sua frenética atividade uma vez que o país estava se destacando no grupo dos países mais poderosos, em vista disso as pessoas estavam animadas vivendo suas vidas com um pouco mais de expectativa tendo seus sonhos e os perseguindo. Na TV sorrisos e musiquinhas felizes ludibriavam as pessoas alimentando-as de falsas esperanças e plantando uma falsa sensação de segurança em suas almas. Eu não vou dizer que não assisto TV, assisto sim, jornais e desenho animado, pode até parecer meio engraçado, desenho animado eu metal como sou. Pois bem, foi assistindo o noticiário que eu tomei cabo de uma noticia que me deixou muito temeroso, até por que sobre o que a noticia falava eu já havia pensado na possibilidade, mas não que iria acontecer assim tão cedo e repentino. O centro da cidade estava em chamas, centenas ou talvez milhares de pessoas tinham morrido ou estavam feridas, era um bombardeio aéreo. O alvo foi o local considerado o centro financeiro do país, que azar o meu, morar logo no estado que era potencialmente um alvo político e bélico. Na verdade eu já desconfiava que se houvesse algo do tipo esse seria o lugar que eles atacariam afinal esse país estava chamando muito atenção economicamente do mundo.

Um dia antes na chácara de minha irmã.

Eu:
_Poxa Jeferson boa idéia mano, aqui por ser uma região baixa acho que se cavarmos uns três a quatro metros o poço da água.
Jeferson:
_ Vai sim, o Claudinei meu vinho, aquele ali que mora do outro lado da rua cavou três metros e deu água, os lençóis subterrâneos passam bem próximos a superfície aqui nessa região.
Cavamos e cavamos, e quando alcançamos exatos três metros em uma certa extremidade da parede percebemos um bolsão de ar ou um tipo de gruta, resolvemos ver até onde ia. Com uma leve inclinação para baixo ela nos levou a sete metros de fundura em relação ao ponto de entrada e no fim passava uma pequena veia de água.
Eu:
_Porra jefitos! (era assim que eu costumava chamar meu cunhado) isso aqui da até para ser usado como abrigo subterrâneo cara.
Jeferson:
_ Né... Vai saber do jeito que anda as coisas no mundo!
Nós costumávamos falar muito sobre esses assuntos; política, guerra e fenômenos sociais em fim. Nesse mesmo dia a noite que por sinal era um sábado dia que eu costumava sair, eu e meus três melhores amigos que inclusive formávamos uma banda juntos saímos para curtir um sozinho cover do Raul Seixas. Viramos a noite e só chegamos sete e meia da manha de domingo. Pois é eu ainda estava de coturno e jaqueta, com uma ressaca do Caralho quando ouvi a noticia do bombardeio aéreo pela TV, eu pensei logo na minha família. Meus pais e meu irmão mais novo moravam comigo, minhas irmãs moram cada uma em suas respectivas casas, sendo que uma morava conveniente na chácara onde mais que convenientemente tínhamos achado aquela abençoada gruta. Liguei para minha outra irmã ir mais que depressa com filhinho dela para minha casa, peguei ela, meus pais e meu irmão mais novo e os levei para chácara de minha outra irmã. Eles se proveram de mantimentos, remédio, vestimentas e se abrigaram na gruta, mas eu não, eu queria lutar. Meu cunhado queria ir comigo mais eu preferi que ele ficasse lá para cuidar de todos, manter a vigilância e ajudar no que fosse preciso. O ápice da batalha estava no centro ainda, iria demorar um pouco até chegar onde eu morava isso deu tempo para as pessoas se refugiarem, já eu liguei para meus três amigos. Eu falei com eles que precisávamos fazer algo, estávamos fudidos mesmo, se fossemos morrer morreríamos lutando, o detalhe era que nós não tínhamos armas e nem sabíamos manipulá-las. Mesmo assim ousamos, eu conhecia de vista alguns traficantes da área, eu nunca me envolvi, mas sabia quem era, tomei coragem e foi até um deles, e falei para eles que eu não tinha dinheiro, mas tinha uns instrumentos musicais caros, tinha computador, e algumas coisinhas de valor e se eles trocavam por armas. Pra nossa sorte, esse traficante mesmo sendo o que era nem quis nada em troca, nos deu algumas armas e explosivos, alias, quando ele me mostrou o arsenal eu fiquei boquiaberto. Ele disse que aquela era contribuição dele contra a invasão e que também iria abraçar a causa. Eu e meus amigos pegamos as armas e nos juntamos a mais algumas pessoas que tinham feito barricadas e se organizaram em grupos em pontos estratégicos.  Eu estava tenso, mas estava “até de boa” por que sabia que minha família estava protegida, minha única preocupação era com a minha namorada, eu não fazia idéia como ela e sua família estava.  Não demorou muito, soldados saltavam de para quedas de aviões e helicópteros, começou a batalha, de cara muitas pessoas morreram, só de pensar eu fico triste, pessoas que eu vi crescer, pais de família e até algumas mulheres, muitos deles todos mortos. Os soldados inimigos tinham abatidos quase todos, e quando eu e meus amigos nos víamos sitiados,  em nossa retaguarda a força nacional chegou. Uma vez que a batalha tinha se iniciado no centro, direção localizada a nossa frente foco maior da peleja, e atrás de nós era a região que dava acesso a mata atlântica a força nacional se deslocou estrategicamente por lá.  Os soldados da força nacional tomaram o lugar, mandaram os inimigos quase todos pro inferno e fez alguns de reféns, eles nos saldaram com sentido mesmo sabendo que não éramos soldados, mas mesmo assim o fizeram. O sargento que estava no comando até fez uma brincadeira dizendo que roqueiro era sangue na veia mesmo, disse que também curtia um som, e até nos chamou de pelotão metal. Ele deve ter feito isso por que eu meus amigos ainda estávamos no visual, nem tínhamos trocado de roupa quando tudo começou. Eu e meus amigos ficamos lisonjeados e orgulhosos de nós mesmos, mas aquela não era a hora para sentimentalismo, como morávamos naquela região a quase vinte anos ajudamos os soldados no deslocamento. O sargento organizou um pelotão de reconhecimento e nos incluiu nele,  ou seja, era o grupo que ia na frente, aqui e ali trocávamos tiros com alguns soldados que tinham se entrincheirado ao longo do percurso. Logo atrás vinha o segundo pelotão com o sargento que ia nos dando cobertura, o terceiro e quarto pelotão se deslocaram pela esquerda e outro pela direita a mil metros de nós,  tínhamos que esta bem separados para ter uma boa visão de área e ir fechando cerco ao mesmo tempo. Chegou a noite, nós paramos e montamos campana e enquanto comíamos alguma coisa improvisada eu meus amigos mandamos um sozinho a capela de uma musica do Iron maden chamada the trooper.Nós que costumávamos tocar aquela musica as vezes nunca tínhamos cantado ela com tanto ímpeto até por que essa musica fazia um protesto contra a guerra. Naquela noite, enquanto uns dormiam outros montavam guarda, eu não conseguia dormir, estava enérgico e ao mesmo tempo cansado, ficava pensando como as coisas de repente acontecem, quer dizer, as coisas acontecem mesmo, mas aquilo era fóda. Mais tarde consegui cochilar um pouco e tive um sonho; sonhei que tudo aquilo era um sonho, mas ao despertar com barulho de tiros e explosões ao longe fui de novo reinserido naquele maldito pesadelo. Na manhã do dia seguinte logo bem sedo continuamos nossa missão estávamos mais ou menos a unas três horas do epicentro do ataque, e sabíamos que lá o bicho ia pegar, lá as tropas inimigas tinham tomado todo o lugar.   Só um milagre mesmo para nos sairmos bem nessa missão, todos estávamos cientes que estávamos em menor numero e potencialmente inferiores no poder de fogo, os pelotões que iam à esquerda e direita perderam o contato conosco. Na ultima vez que tínhamos contatado eles, eles estavam em intensa ofensiva, o fogo cruzado estava intenso. Mesmo assim foi incrível como eu vi a coragem no rosto de cada um, isso me dava forças, mas quando nos aproximamos do local onde estavam os inimigos meu semblante mudou, quando começaram os disparos e eu vi um soldado da força nacional caindo morto ao meu lado. Até aquele momento nós não tínhamos tido perda, mas em relação aos outros pelotões nós não sabíamos como eles estavam. Foi um misto de medo, coragem e ódio, eu disparava e gritava ao mesmo tempo, os meus amigos ao me verem gritando foram inflamados e começaram a gritar também, mas de repente um silencio. Um deles foi atingido, parece que a cena aconteceu em câmera lenta na minha visão, quando um dos meus amigos tomou um tiro bem no pescoço e caiu bruscamente.
Ele levantou as mãos tremulas querendo dizer alguma coisa as lágrimas despencaram de meus olhos quando percebi que pelos cantos de seus olhos saiam lagrimas também, eu e meus outros dois amigos o cercamos de joelhos. Agonizando e tossindo, enquanto o sangue espesso e abundante saia pela ferida e pelos cantos de sua boca ele disse suas ultimas palavras:
_ È nós manos! Em seguida morreu.
Ainda hoje choro quando me lembro dessa cena, eu lembro que ele sempre topava tudo, tudo que falávamos ele tinha a mania de falar “é nós”. Nós três choramos muito, os soldados da força nacional apenas observavam calados, nós o enterramos ali mesmo, e com o próprio sangue dele, em uma cruz improvisada escrevemos, aqui jaz um herói. Aquele dia se passou muito estranho para mim, ao mesmo tempo em que eu guerreava, tentava sobreviver, tentava me concentrar, mas turbilhões de pensamentos pareciam querer tirar uma atenção. Foi meio engraça o que aconteceu algumas horas depois, nós estávamos em fogo cruzado, a bala estava comendo, eu no ato de procurar refugio atrás de uns destroços achei umas garrafas de bebidas. Logo falei pros outros, enquanto uns davam cobertura outros tomavam longos goles da bebida,  na verdade na verdade, as bebidas vieram bem a calhar, até me senti melhor, mas leve e” mais corajoso”. Em fim chegamos ao ponto onde tinha começado o bombardeio, estava um caos, uma cena de destruição e horror, quando fomos percebidos a batalha ficou mais fudida, tiros, explosões, gritos e muita fumaça. Corpos mutilados e destroçados por todos os lados eu estava frenético, parecia que estava possesso, o medo tinha sumido e eu só queria acertá-los, mas apesar de nossa coragem não estávamos conseguindo ter êxito. O líder do pelotão deu ordem para pararmos de avançar, precisávamos nos reorganizar, em uma rápida conversa resolvemos. . Estávamos levando conosco um soldado deles como refém, foi ai que eu tive a idéia, pedi ao líder do grupo do pelotão a palavra e ele me concedeu. Eu dei a seguinte idéia: nós poderíamos vestir o soldado deles que tínhamos feito refém com nosso uniforme, mandávamos ele levantar a bandeira branca em sinal de rendição, obrigávamos ele a se aproximar com braços levantados só que com uma surpresinha nas costas. Ele estaria com uma bomba via rádio na parte de traz do sinto e quando estivesse perto da trincheira deles explodiríamos o filho da puta, eu sei que ele não tinha nada pessoal contra nós estava apenas cumprindo ordem, mas guerra é guerra. Foi o que foi feito, eles foram pegos de surpresa, abatemos os desgraçados e ainda nos apossamos de um forte armamento, estando de posse da trincheira deles estávamos em melhor vantagem e localização, com as suas próprias armas destruímos algumas outras trincheiras que estavam mais próximas e fomos ganhando área.  Por hora a situação estava sobre controle, mas tínhamos recebido informações pelo rádio via satélite que a invasão tinha acontecido simultaneamente em pontos diferentes, entre outros pontos do país a coisa não estava boa.
Os desgraçados vieram pra fuder mesmo com nossa vida, e nos locais de batalha a força nacional estava tento dificuldade para conter o ataque, mais tarde ficamos sabendo do pior, até onde nos foi informado todos os outros locais que sofreram ataque foram dominados pelo inimigo. Agora apenas nós estamos livres, lembro bem do desanimo e do fardo pesado que se fez no rosto de todos, lembro das palavras do sargento:
_ Pois é soldados esta tudo em nossas mãos agora, a situação esta foda, mas nós não vamos desistir agora, somos patriotas e não vamos fugir como mocinhas; é o seguinte vamos cair pesados em cima deles desses filhos da puta mas vamos usar a cabeça, vamos ser estratégicos, é certo que muitos de nós aqui perderemos nossas vidas, mas esse será exatamente o valor do nosso sangue, o amor por nossa pátria, nossos familiares e amigos. Eloquente e de voz embargada o sargento dizia essas palavras e ao terminar o discurso nós aplaudimos e gritávamos em apoio a suas palavras eu pude sentir que o fogo e a coragem tomou o coração de cada soldado ali, agora era só contar com nossa estratégia e com a sorte. Naquela tarde avançamos uns bons quilômetros, não tivemos muitos obstáculos isso estava muito estranho onde estavam os soldados inimigos... Nos perguntávamos, mas já que os outros lugares que sofreram ataque estavam dominados acho que eles achavam que já tinham tudo no controle. Precisávamos nos encaminhar para o lugar mais próximo que tinha sido dominado por eles, tentar libertá-los e fazer o mesmo com os outros, mas outra noite havia chegado e nós montamos campana nos destroços do que tinha sido um dos maiores e mais modernos prédio daquela região. Naquela noite enquanto todos tentavam descansar o céu estava lindo, a lua estava cheia e uma brisa bem fresquinha soprava, nem parecia que estávamos em meio a uma guerra. Eu estava sentado em um lugar alto de onde eu conseguia ter uma boa visão do horizonte, eu estava olhando ao longe quando percebi uma luz que se deslocava vagarosamente chamei o sargento ele acordou os de mais e ficamos todos apostos. Quanto mais a luz se aproximava a tensão ia crescendo, quando a luz estava bem próxima  sargento resolveu fazer contato.
_ Quem está ai...? Se identifique, por favor, ou nós abriremos fogo!
 Do meio da escuridão uma voz respondeu:
_ Não atirem, não atirem, somos apenas refugiados.
Quando eles chegaram até nós para minha surpresa eram quatro amigos meus, eles também eram roqueiros e também estavam na causa. Eles estavam sem munição, sujos e exaustos nós os acolhemos e demos comida e água para eles que comeram, beberam e descansaram. Enquanto descansavam nos contaram algo que achamos muito interessante e conveniente, disseram que não muito longe dali tinha um helicóptero, mas eles não sabiam se ele estava funcionando. Isso nos deu um novo animo, eram vinte e três horas, mas mesmo assim o sargento fez o pelotão se deslocar no meio da noite tínhamos que chegar até o helicóptero e tentar o faze funcionar. Chegamos até o local guiados por meus amigos, para nossa grande sorte o problema do helicóptero era na parte elétrica e foi fácil resolver  aquela noite mesmo nós íamos empreender ataque a nosso alvo.  Agora era só nos organizarmos o sargento mais quatro soldados iam de helicóptero, já que era um helicóptero grande, de guerra, mais cinco soldados iam como pelotão de ataque e eu e meus amigos que éramos sete também íamos atrás dando cobertura. Foram formados então três pelotões: pelotões um morcego, pelotão dois jaguar, e pelotão três metal, agora o pelotão metal era formado só por mime meus amigos. O pelotão jaguar iria atacar pela frente nós daríamos cobertura de longe enquanto o pelotão morcego atacaria por traz e pelo alto, estando tudo certo saímos em direção ao inimigo. Três horas da madrugada chegamos ao local, passamos um radio pro sargento, assim que nós desligássemos o rádio atacaríamos, e o sargento tinha cinco minutos para chegar por traz.  Iniciamos o ataque nós os pegamos de surpresa, iniciou-se a troca de tiro, o pelotão jaguar abateu quase todos os soldados de guarda, nós o pelotão metal quando vimos que o pelotão jaguar teve êxito avançamos per um dos lados por traz e pelo alto chegou no temo combinado o pelotão morcego. Os inimigos ficaram desbaratinados nós o pelotão metal nos adiantamos e nos juntamos ao pelotão jaguar, invadimos o local a troca de tiro foi mano a mano, eu com minha inexperiência tomei um tiro na perna esquerda.  Dois amigos meus também foram atingidos, mas tudo ferimento superficial não chegamos a ter nem uma perda dessa vez. Em fim tomamos o lugar, prendemos os soldados rivais que sobreviveram e libertamos alguns soldados nossos e alguns civis também. Chega mais um dia, e já que estávamos de posse do helicóptero o sargento fez um vôo de busca para ver se contava os outros dois pelotões, para nossa felicidade o sargento encontrou os outros dois pelotões, eles tinham tido algumas baixas, mas em compensação tinham tomado outros lugares que inimigo tinha dominado. Nós nos unimos agora estávamos em trinta soldados contanto comigo e meus amigos, nosso armamento era forte sem falar em alguns veículos que adquirimos. Pronto, a capital estava sobre nosso domínio, a ajuda aliada chegou por terra e por mar, com ajuda deles retomamos todo o território dominado pelo inimigo e com pouco mais de quarenta e oito horas tínhamos de novo o controle de nosso país. Eu meus amigos fomos homenageados em publico e o pelotão metal ficou conhecido em todo pais, cada um de nós ganhamos medalhas de onra ao mérito além de sermos convidados para ingressamos no exercito coisa que recusamos. Mas mesmo assim deixamos nossos serviços sempre apostos ao país. Ao voltarmos para nosso bairro fomos recebidos como heróis, meus familiares estavam bem, reencontrei minha namorada junto com seus pais e irmão dela, eles que não gostavam de mim por eu ser roqueiro. O pai dela me pediu perdão por te me preconceituado algumas vezes me parabenizou e o meu namoro a partir dali se firmou mais. Depois desses dez dias de inferno as pessoas se uniram mais, deixaram para traz seus preconceitos e juntaram-se para reconstruir suas vidas, suas família e sua pátria.

Subjett

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dias de trevas

Hoje é mais um dia em que sobrevivi,  acordei meio amargo por que sonhei que tudo tinha sido apenas um pesadelo, e quando sai lá fora vi que continua sendo.  O que me deixou um pouco animado é que hoje cedo quando sai da caverna percebi que estava fazendo um friozinho, achei meio estranho, por que desde de as grandes explosões o clima estava sempre abafado, acho que o planeta pode esta se reestruturando aos poucos  passados 3 anos dos  grandes acontecimentos. Mas mesmo assim ao olhar para o horizonte, olhar tudo em volta, e ver tudo tão acabado, olhar e não ver uma única árvore, um único fio de grama, minha alma se perturba e acabo por pensar:
“ Malditos... eles conseguiram...!”
Voltei para dentro da caverna não dava para saber que horas eram ao certo, por que depois dos cataclismos “naturais”, provocados pela  burrice do homem, o tempo ficou inconstante, os pólos se moveram a própria rotação e posição da terra foram alterados. Nós os sobreviventes não temos muita idéia de hora, dia e noite, eu minha família e amigos nos baseamos em um  relógio de cordas que eu por acaso guardava como antiguidade.
Mas bem, entrei e pelo que o relógio indicava eram sete horas da manha, chamei a todos para que pudéssemos fazer uma oração para agradecer-mos  por mais aquele dia, era costume nosso, depois eu meu pai, meu irmão e mais dois amigos,  saímos para caçar depois de comer alguma coisa improvisada, os demais ficaram na caverna, alguns em torno dela catando alguns galhos para ascender uma fogueira.
Eu e os que estavam comigo estava-mos na caça, eu e meu pai levava-mos conosco pistolas, só nós dois tinha-mos armas por sermos os lideres do grupo, os outros tinham como armas apenas, facas, lanças e facões.  Enquanto passava-mos na margem de um lago, vimos na outra margem do outro lado um grupo de pessoas,  um clima tenso se fez, tanto eles quanto nós ficamos todos desavontades e apreensivos. Eu não estava a fim de gastar munição, então resolvi fazer contato e gritei para eles:
_ Opa... tudo bem ai, de onde vocês são?
Um homem magro, auto e com feição de sofrido respondeu:
_ Nós estamos  vindo do leste, tivemos que deixar nosso abrigo lá, aquela região foi tomada por meliantes, um grupo  de homens sanguinários que saqueiam os que ainda tem alguma coisa.
_ Ah, entendi, boa sorte então na caminhada de vocês, vão em paz.
Disse eu a eles, eles agradeceram e continuaram a caminhada sabe-se lá para onde pois em toda terra só havia destroços, resquícios  do que um dia já foi .  Minha alma se entristeceu quando percebi  algumas crianças nesse grupo, as coitadinhas estavam magras, esfarrapadas e sujas  mas eu não podia chamar eles pra nosso abrigo, em épocas como essas é cada um por si. 
Continuamos  concentrados em nossa caça e minutos depois tivemos a sorte de encontrar  uma cobra,e um solitário gato do mato, já dava pra quebrar um galhão, assim que estava-mos com a caça em mãos tratamos de voltar o mais rápido possível para casa, coisa de quarenta minutos de caminhada. Na volta eu pensava comigo se aquele grupo de pessoas tiveram sorte de encontrar alguma coisa para se alimentarem, algum abrigo em fim.
Já era tardezinha quando chegamos  na caverna, o fogo já estava aceso   e todos estavam em volta, minha alma se contritou quando eu olhei as feições de todos que estavam ali, por um minuto viajei, voltei anos no tempo, quando estava eu e minha família em nosso humilde mas aconchegante lar, lembrei de momentos felizes que em vez de me darem  algum alento me deixaram  mais triste. È que quando percebi a amargura, tristeza e falta de perspectiva nos olhares de todos daquela caverna eu pude sentir em mim a aflição de cada um, foi quando prometi para mim mesmo que lutaria até o fim por todos.
A noite chegou, e cada um estava em seu cantinho, todos calados e compenetrados em seus próprios pensamentos, era como se eles estivem em outro lugar, e na verdade, era o que todos nós ali desejava-mos. Eu estou aqui no meu canto também, tentando crer em dias melhores, preciso ser forte por minha família e amigos que compõe esse grupo que já estão cansados de migrar de abrigo em abrigo caverna e caverna, e pensar que já passamos tantas coisas juntos, alias antes de tudo isso acontecer eu nunca vi tamanha união e disciplina. Infelizmente é assim, alias teve que ser assim, foi só em tempos como esses que eu pude ver a verdadeira união entre os homens e mesmo assim ah ainda quem possa ser mal, talvez isso tivesse que acontecer mesmo para que os que sobrevivessem não esquecem dos motivos que levaram  a esses resultados. Talvez agora, se o mundo tiver uma segunda chance, as coisas sejam feitas da forma correta e que essas conseqüências nos sirvam de lição, tomara, espero mesmo, mas não sei, não sei se o mundo um dia voltara a brotar novas oportunidades e florir novas esperanças. Até que temos resistido bem, temos encontrados muitas pessoas em nossa caminhada, encontramos ainda algumas dezenas de grupos, pessoas vindas de lugar nem um indo para lugar algum. Desejo mesmo do fundo de minha alma que essa lição que nos foi dada seja aprendida e entendida por nós e que possamos fazer tudo diferente. Hoje mesmo de manha, tivemos contado com outro grupo de uma região bem próxima daqui, eles nos disseram que um grupo de saqueadores sanguinários estava se encaminhado para cá, isso quer dizer que hoje mesmo, no máximo amanha vamos ter que pegar nossas coisas e partir, de novo!
Mas em fim, não há muito o que possa ser feito, logo mais vou chamar os homens do grupo para tomarmos a decisão de quando e para que região irmos, espero que possamos resistir  esses tempos vindouros, e possamos sobreviver, mas quer saber? Na real eu invejo os que já partiram dessa para melhor pois eles nada vêem, nada sofrem, já encontraram seu descanso, porem até aqui ainda vivo e preciso ser forte por mim e pelos demais, até aqui ainda tenho esperanças. Não sei se essa história vai ter um final feliz, se tiver vocês não saberão até por que já estou no restinho do meu lápis e não tenho mais papel para registrar mais nada, isso foi apenas o que restou.

Sub

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Fardo!

Hoje minha  alma  ou talvez meu espírito não queriam me deixar acordar,  e o dia já estava quase  fugindo da manha. Mas aos poucos fui recobrando meus sentidos, e quando me vi lúcido, e tentei consentir  percebi que não havia nada dentro de mim. 
“Droga mais um daqueles em que o vazio é maior do que a soma de tudo que somos” 
Não consigo, tento mais um peso esta sobre mim, minhas pálpebras se sentem molestadas pela luz do sol foi quando enfiei minha cabeça na cama, meti o travesseiro sobre ela e mergulhei em meu mundo.  Até meu violão que tanto me satisfaz me prestando seus acordes estava ali...  jogando ao canto tentando me entender.  Com muito pesar horas após quando a tarde já estava as portas tive que me levantar contra meu físico debilitado por causa do mal de minha alma. Após recompor-me nada fiz além de pegar minha caneta e escrever estas palavras aqui que ao menos um pouco me apraz. Fico pensando se Deus e seus anjos, o diabos e seus demônios  fazem idéia ou tem parte nisso. É que minha luz a dias que brilha a dias que não, enquanto que minha obscuridade se faz efetiva dentro de mim. Não sei bem sobre meu eu, sobre minha essência, não me conheço direito alias ninguém se conhece sei disso por que por vezes me pego surpreendendo a mim mesmo. Talvez se eu me desfizesse ao vento e meu ser fosse espalhado aos quatro cantos do mundo, eu seria algo em fim. 

Subjett Obrícuri

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Perfeição

Em tempos de tão grande corrupção do homem, da alma, dos conceitos e dos afetos, em algum lugar nesse tão vasto mundo, em um cantinho... bem particular e bem especial jazia duas nobres almas. Ali se fez a pureza, não houver ser nos céus ou habitantes de quais quer mundo que pudessem alcançar a plenitude em compreensão do que aquelas almas foram capazes de sentir... eles, mesmo em suas corrupitibilidade se fizeram infinitos embargamos por tanto amor.  Eles não buscaram saber explicações, buscaram apenas viver aquilo que estava mais pra um fenômeno do que para um acontecimento humano, as entidades se perturbaram e invejaram toda aquela energia que com suas capacidades sobre humanas não sentiriam jamais.
Amor? Não... não creio que tenha sido, foi algo parecido mas muito superior... nada que explicações limitadas e utópicas do homem pudessem elucidar.

Subjett Obrícuri

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Das trevas a luz

Quando eu abri os olhos me vi enclausurado, havia pouca luz, quase nem uma, mas mesmo assim eu podia enxergar ao menos um pouco e pude ver onde estava.
“Isso parece um... um caixão, será que eu morri”? Pensava comigo.
Eu sentia frio, percebia que pelos cantos escorria água barrenta, como densas e amargas lagrimas, eu estava sufocando, não sabia ao certo o que acontecia.
Com minhas unhas arranhava, socava e pressionava de baixo para cima aos gritos e tomado pelo pranto, quando exausto em pesados suspiros tentei me acalmar para que não fosse asfixiado, precisava ganhar tempo.
Aos poucos fui me acalmando, o soturno tomou conta daquele lugar quando de repente pude ouvir um barulho que vinha de fora para dentro, de cima para baixo, meu coração disparou e a esperança brotou em minha alma. Mas por tanta euforia eu acabei perdendo meus sentidos e no momento em que ia desfalecendo censurava em meu interior: “Não... logo agora que estou por ser salvo, não, não” Até que tudo apagou. Não sei por quanto tempo estive inerte, só sei que quando recobrei a consciência em uma turva visão com dificuldade meus olhos viram o ser mais lindo que já viram. Ela era maravilhosa, de feição infantil, mas com fardo de mulher, sua pele era alva e seus cabelos negros assim como seus olhos. Parecia que estava garoando naquele momento, mas não, não era, quando me concentrei, consenti sobre a situação percebi que o que pingava eu meu rosto eram lagrimas dela que por conseqüência provocaram as minhas. Veias de lagrimas que escorriam pelos seu rosto e banhavam seus lábios  os umedecendo e os fazendo mais sedentos do que já eram naturalmente.
Eu tentava entender mas  ainda não tinha certeza, eu não conseguia definir o que era aquilo,o  que estava sentido, era tão mórbido e gostoso, era incrível como o toque de suas mãos me fizeram me sentir vivo pelo poder daquele toque.
Em fim me vi sucinto, percebi que tudo não passou de um pesadelo, porem um real pesadelo, um insólito devaneio, e ela com seu dom e capacidade de me fazer sentir e me sentir em mim, me resgatou daquele invólucro que eu mesmo tinha me imposto. Era tão mágico e insondável que eu nem vi como tudo começou, conseguia apenas me concentrar no sumo do momento, o beijo dela me arrancou das trevas me levando a luz, e até agora do inicio não lembro nada,  apenas o fim se fez inesquecível.  


subjett obrícuri

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O jargão


Nunca como agora a justiça foi exercida com tamanha eficácia. Na hora em que aconteceu eu achei muito estranho, quando momentos após estava eu ali de frente para do espelho com o rosto banhado de sangue e pedaços de carne em baixo das unhas. Foi estranho, mas logo me acostumei, logo aceitei aquilo que parecia uma maldição e que na verdade agora tenho como uma “benção”, agora o gosto do sangue agrada meu paladar e seu cheiro minhas narinas tanto quanto a imagem que fica em minha mente dos últimos momentos, do olhar de dor e desespero das minhas vitimas.
Talvez eu tenha sido acometido disso por que a maior parte de minha vida eu fui movido pela indignação, a raiva e o ódio que tomavam conta de mim, eu não sei por que, mas sempre me incomodei com a dor dos outros, com a injustiça que assolava os inocentes, parecia que era problema meu e na verdade era e é, é problema meu, seu e de todo mundo.
Hoje eu tenho a capacidade de sentir em meu próprio olfato a maldade e a bondade, eu sinto em minha alma a irradiação da malicia e uma vez sentindo e sabendo de quem é, é inevitável, eu o caço e com minhas próprias unhas e dentes o extermino sem que depois sinta arrependimento por que na hora de ser cruel o desgraçado não teve misericórdia. Nossa... foi grandioso o que eu senti no dia em que aconteceu, aquilo que me tomou foi muito poderoso. Era uma sexta feira já era quase noite, o aparelho de som estava ligado e eu como sempre estava ouvindo um rock de boa, estava eu ali na janela olhando o horizonte, por morar em uma localidade bem alta eu conseguia avistar quase toda a expansão do centro. Estava frio e um vento gélido beijava meu rosto eu adorava, (adoro) sinto que do vento vem minha força, minha imortalidade, as vezes quando estou lutando, e sou alvejado de alguma forma basta apenas abrir o peito e me concentrar no toque do vento, do frio em meu rosto e logo minha força e restituída.
Não sei de onde, pode ter sido do inferno ou dos ares mesmo, não sei, só sei que aquela sombra ficou diante de mim, frente a frente e pelos meus olhos ela me possuiu, eu cai ao chão e em tremor me debatia mas logo aquela sensação acabou e daquele momento em diante eu pude sentir dentro de mim que não era mais o mesmo. Censurei comigo mesmo o que teria acontecido, e de dentro de minha mente pude ouvir: “ seu desejo foi lhe foi concebido, a capacidade lhe foi dada, da forma que você sempre quis, agora a utilize no propósito que você sempre almejou.” E foi assim que se deu, foi assim que aconteceu e agora sou o que sou. 
 Eu acho até “engraçado” quando os marginais  atiram em mim e eu não caio, eles começam a disparar freneticamente suas armas e quando vêem que eu mesmo sangrando não morro o medo toma suas feições, em seguida olhando nos olhos de cada um, com minhas própria mãos e capacitado pela força que me foi dada acabo com a raça desses vermes.
Eu sinto dentro de mim essa força, é algo como mil volts que percorre minhas veias, todos os meus sentidos ficam aguçados como sentidos caninos, um calor toma meu rosto e todo e qualquer movimento alheio fica bem legível aos meus sentidos. 
Cada olhar, cada respiração, cada batida do coração cada guto tomado eu sinto e percebo, não há escapatória isso se tornou meu próprio prazer, meu próprio mantra e não desejo ser curado por que não é uma doença é a cura,  cura do vírus do crime que contamina a sociedade. De dia ou de noite eu estou por ai, e não há como escapar de meus olhos não há quem me possa frear, correntes, grades ou algemas nada pode me deter, e eu gosto mesmo disso, na verdade amo e agradeço a quem quer que seja que me deu esse presente.
Cuidado, se você compactua com o mal, se você se esconde por traz de um sorriso, de palavrinhas bem pronunciadas, tampinhas no ombro e aperto de mãos, eu posso esta te observando e se eu farejar sua covardia a disciplina será feita.

Subjett Obrícuri

A.R!


_ Pois é Flavia em depoimento a policia, o acusado disse que não teve um motivo para ter assassinado a vitima, voltamos aos estúdios.
_ Obrigado Verônica, bom vamos agora a outro caso parecido que aconteceu agora a pouco no centro de são Paulo, segundo testemunhas a vitima não reagiu e mesmo assim foi alvejada por alguns tiros. Entramos em contado com o super intendente da policia e ele disse que esses casos são casos  isolados e que não podem ser configurados como uma onda de marginalidade. Comentou a ancora do jornal.
Isso era o que diziam as autoridades, enquanto que pelo país a fora a criminalidade estava tomando conta das ruas onde as pessoas se viam reféns dentro de suas próprias casas. Mas isso não era o pior pois a corrupção também era um motivo de desgaste de nossa sociedade,e tudo ficava impune, isso era um tapa na cara do povo, assassinos e criminosos de todo tipo eram presos e a própria lei os libertavam, políticos eram flagrados em ato de corrupção e continuavam exercendo seus cargos.
A coisa estava sem controle e ninguém fazia nada, no plenário centenas e centenas de projetos engavetados, projetos que poderiam dar uma boa respaldada na legislação coisa que estava precisando há tempos. Ante essa situação, o povo, que em parte por culpa deles mesmos padeciam, sim por que eles bem que poderiam buscar se informar sobre seus direitos, mas não o faziam, ficavam apenas por promessas, eram ludibriados por discursos emocionados e “promissores”.
Enquanto que essas e outras coisas aconteciam, safadagens e falcatruas, injustiça e corrupções, um jovem observava e ponderava tudo, ele não aceitava mas aquele quadro de degradação, a lei estava fraca, um outro poder teria que surgir, um poder com sua própria lei, com sua própria política.
Aquele jovem era muito inteligente, dês de pequeno foi bem instruído por alguns de seus tios que eram professores, isso o fez crescer rápido e com uma visão mais ampla em relação as coisas, apesar de ter nascido em uma família cristã e seus ensinamentos serem baseados nisso, por dentro ele sabia bem o que era...
E assim  ele  cresceu, mas sentia que em seu intimo era diferente muitas vezes era censurando pelas coisas que questionava e em relação a alguns de seus pareces, sabendo que era diferente em seus pensamentos e sentimentos ele mesmo pôs sobre si seu próprio perfil de vida. As vezes ele até achava meio estranho as coisas que permeavam sua mente, pensava até que era coisa do mal, mas logo se convenceu que aquilo era uma dádiva não uma  maldição.
Ele tinha uma forte pendência a coisas não muito comuns, isso tanto em conceitos, ideologias, crenças que se expandia até seus gostos para leituras, filmes e relacionamentos interpessoais.
Ele era mesmo meio sinistro e em seus muitos passos dados na vida, na noite, com pessoas distintas que partilhavam de coisas incomuns e peculiares..., ele aprendeu muitas coisas que não se aprende na escola, na igreja ou na vivencia comum da vida, adquiriu um conhecimento bem particular sobre coisas que não se acha em cursos por ai, nem mesmo em faculdades mas tão útil e eficaz quanto. Conseguiu um incrível acervo de livros que não se acha em livrarias, bibliotecas nem bancas de jornais, muito menos na internet, livros e documentos de conteúdos importantíssimos, alias poderosíssimos pelo valor e segredos que neles estavam contidos e resultados que poderiam ser tidos se tirados da teoria de colocados na pratica.  
A partir disso veio a grande idéia, ele resolveu montar um grupo que ele mesmo chamou de A.R. ou, a resistência, mas como ele sabia que o que estava planejando fazer  iria levantar grandes inimigos não podia usar seu verdadeiro nome, teria que criar um outro e se auto nomear como tal, então se auto proclamou Jacó que tinha por significado “contendeiro” e era isso mesmo que ele ia fazer, muita contenda!
Agora só faltava recrutar os membros da A.R, fazia algum tempo que Jacó não andava mas na noite, nos lugares onde costumava ir, resolveu então voltar a freqüentar esses lugares, especular, pesquisar e perceber quem seria um membro em potencial da A.R.
Jacó  usando de sua sensitividade e pré-cognição começou a sondar e selecionar algumas pessoas, que quando tinha a certeza da confiança e fidelidade das mesmas, encarregava elas de identificarem e recrutarem outras. Jacó era especulador e estratégico, e utilizando desses artifícios descobriu os tipos de pessoas perfeitas pra serem membros da A.R, ele sempre abordava pessoas das quais tinham sofrido algum tipo de injustiça, ou perdido algum ente querido em citações injustas, ou até mesmo pessoas que eram radicais quando se tratava em falar  ou fazer  justiça.
Dentre essas pessoas havia pessoas que conheciam outras pessoas, sendo  essas outras pessoas de influencias, e em pouco tempo estava formada a A.R onde seus membros estavam em todos os lugares como; na política, na religião, nas grandes empresas e instituições.
Por toda parte então começou a ser feita justiça quando pessoas corruptas eram denunciadas, onde provas chegavam nas mãos das autoridades de uma forma que ninguém sabia como, imagens eram lançadas na mídia, na internet incriminado e mostrando o que o povo deveria saber e em função disso sair as ruas para reivindicar. 
Assassinos e homicidas, eram disciplinados  da mesma forma que cometeram seus crimes, as imagens eram divulgadas como exemplo para que os outros que ainda não tinham sido pegos vissem, e eram divulgadas com um aviso: “ sedo ou tarde chegaremos até você e não adianta se esconder pois nossos olhos e bocas estão em todos os lugares”.
  Por diversas vezes as autoridades se reuniram na tentativa de desvencilhar a A.R, mas não tiveram êxito pois a A.R também estava entre eles. Onde ninguém menos podia imaginar a A.R estava, quem ninguém poderia desconfiar era um de seus membros, a A.R era sutil e indestrutível, exata e organizada de modos e ações legítimas e eficazes.  

Subjett Obrícuri